terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Inspiração


Não me lembro em que tarde disseste que vinhas

ao meu encontro...
Por versos soltos e entrelinhas
no desencontro cansado das rimas
que me compõem.

Onde andarás nessa noite vazia,
descendo a rua em passo de poesia
desconcertada e enamorada de mim
deixando um rasto de canções inacabadas?

Não me lembro em que nota te vi chegar
a primeira vez...
Entre folha e caneta, o que te fez
nascer em mim?
Assim, devagarinho, a sussurrar
que ser Poeta é não ter fim,
nem princípio onde debutar.

Onde andarás nessa madrugada fria,
recôndita e fugidia
sem sede de me abraçar?
Chove em branco no meu caderno
eterno de tanto esperar ...

Não me lembro em que dia disseste que vinhas...

 

4 comentários:

cheia disse...

Grande Inspiração!
"no desencanto cansado das rimas
que me compõem"

Rita PN disse...

Muito obrigado, amigo!! Inimaginável é ter-me inspirado num grande momento de desinspiração!
Escolheu os meus versos favoritos deste poema, a par de "Chove em branco no meu caderno/eterno de tanto esperar ..."
Um grande beijinho

Carla disse...

Lindo!!!
Chove em branco no meu caderno
eterno de tanto esperar ...
A dor, desilusão... muitas vezes faz- nos mover!😥😍🌸

Rita PN disse...

Carla, muito obrigado!
Neste caso, não existe dor, apenas a necessidade de escrever e a demora da inspira. A chuva em branco representa isso mesmo :)
Um beijinho 😊

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