Dos muitos ensinamentos que nos deixou, Einstein defendeu que "loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual!"
Tem sido curioso explorar o mundo dos anúncios de emprego. A lista de critérios chega a ser tão extensa e elaborada que, em algumas situações, nem os próprios CEO seriam seleccionados para entrevista.
Na verdade, muitos dos conhecimentos exigidos/pedidos não chegarão a ser utilizados pelo candidato no desempenho da função, não só porque actualmente existe tecnologia que facilita processos, mas, também, porque a realidade das empresas não é igual entre umas e outras, havendo situações em que os requisitos não são aplicáveis (mas enriquecem o anuncio). Porém, os critérios de selecção parecem obedecer a um padrão instituído e bastante similar.
Há quem seja, de imediato, posto de parte por não ter conhecimento e capacidade para a leitura e análise de títulos em inglês (espantemo-nos, utilizados inclusivamente por empresas nacionais, que apenas operam em Portugal, sem contacto com mercados e clientes internacionais, pelo que não tirarão partido da fluência em inglês do candidato).
Na verdade, creio que se assiste a uma valorização excessiva do anglicismo, em detrimento da língua de Camões, o que se aplica, de igual forma, à valorização dos cargos e funções escritos e pronunciados em inglês (hoje em dia ser-se technical analyst, manager, office manager - entre outros - terá maior impacto do que ser-se técnico analista, gerente/gestor de alguma coisa ou simplesmente responsável).
Entre as dezenas de anúncios que leio diariamente, todos me parecem extremamente idênticos, pouco diferenciadores e capazes de transmitir o verdadeiro ADN do empregador, chegando mesmo a aparentar ser, por vezes, pouco realistas. E há alguns direccionados a alienígenas...
Em suma, também nós, candidatos, nos temos visto na obrigação de triar conteúdo e analisar mais a fundo as ofertas de emprego, fazendo uma análise, pré-selecção e posterior selecção, terra-a-terra, daquilo que estamos a procurar vs aquilo que o empregador anuncia e oferece. (O que não deixa de nos desenvolver a capacidade de análise!!! - ponto positivo).
Por fim, se por um lado se afastam candidatos, por outro descridibilizam-se organizações. O foco no público alvo, o cuidado na utilização da palavra e o direccionamento mais preciso, sem cair no facilitismo dos padrões ou "copy past" , talvez trouxesse resultados diferentes no processo de selecção e, consequentemente, no perfil dos candidatos a concurso.
Não sei, sou só eu a pensar para com os meus botões. Mas também não interessa nada, com o aumento exponencial do desemprego, mais dia menos dia, tudo o que for à rede é peixe.
