quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

A ti, Porto

A ti, Porto:


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Enquanto não existe amanhã...


Percorro-te, cruzo-te as esquinas e absorvo cada rasgo de luz. Entre ruas e ruelas, travessas escondidas, calçadas imersas em sonhos maiores.
Ao descer a Avenida sou pequena. Tão pequena... e tu imponente, escultural, perfeito de ambos os lados, Aliados.
Alegre, passeio p'lo Passeio Alegre, onde me levam os carris de histórias tantas, do Infante até à Foz, dando voz a tempos idos. Elétrico caminho, assim, devagarinho, para te apreciar mais um pouco.
D'ouro são as àguas que D.Luís atravessa, unindo-te à outra margem, de onde volto a contemplar-te como uma criança à janela. (Nova tela a aguarela.)
Aos Rabelos confias o sangue, num brinde de mundo, e assim te bebes, Tawny ou Rubi.
E se a Gaia muito confidencias, o encanto volta a ser teu: sem palavras para a Ribeira, perco-me na tua beira e guardo-te no olhar...!


Sei que à Foz já vos levei, porém não vos falei do mar atróz e fascinante. Silêncio! Só se ouve o teu canto, cem turistas num recanto ao abrigo de um farol. Intimidados com tamanha rebeldia, tiram-te mais uma fotografia, e agradeces, rebentando.


Tens a Música em Casa e na Lello as tuas histórias, em Serralves o pulmão, a Arte no Rivoli e a frescura no Bolhão. Santa Catarina sobe e desce, até á hora em que adormece e se muda a direção.
E à luz do Sol ou pelo mistério da Lua, eu já me sinto tua e não me canso de ti.
Por ruas, ruelas e calçadas o teu encanto nunca se apaga, seja de dia ou adiante... e já é de madrugada.


 

Primaveras

Amanhece turquesa, o dia. Ou assim se mostra o céu do que vejo adiante. As nuvens, com pressa, abrem espaço aos raios de sol do caminho que desperta dos meus passos atrasados. Não estou p'las cortesas ruas da cidade. Tão pouco nos bucólicos trilhos verdes do campo. Estou a meio caminho, onde é incerta a estranheza de tudo o quanto ainda está por fazer . Estou nos espaços em branco e encontro-me, com frequência, na esquina doce do silêncio, ou na mais ensurdecedora agitação do pensamento. Ao fundo corre um ragato de sonhos. (Em mim).
Só vou por ali...
Entre o que fui e o que serei, estou. Sou.


Se são 30 as primaveras, talvez seja eu flor mediana neste jardim da vida.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Infinito

Ao longe, ficar
p'la noite inquieta,
Serena a sonhar
Sonhos que não tenho
E por vê-los dançar
Comigo, retenho
Que é esse o lugar
recôndito
De onde venho.


Sem estrada, sem mapa
Ao longe, passar,
P'la noite serena
Inquieta a cismar
Que o infinito atormenta
Quem me vê soltar
As amarras, sedenta
de mais... e voltar
a sorrir.

A normalização como absolvição colectiva

Poucas formas de absolvição colectiva são tão eficazes como a normalização. Reconhece-se o problema, permanece visível, continua a ser comen...