Na escola onde aprendi a Primavera também chovia
e os trovões emergiam dos percalços.
Entre clareiras, destroços e joelhos magoados,
os homens corriam desalmados
pela vida fora...
Procuravam e perdiam
o que tão velozmente seguravam
nas mãos grandes e vazias.
Rasgavam e remendavam as flores do campo
enquanto um desconhecido
chegava de mala à cidade,
instalando o seu canteiro
à esquina da mocidade.
Na escola onde aprendi a Primavera
as palavras não aconteciam desfazadas
das manhãs que nos trazem o jornal.
Diziam, pois, coisas diferentes
deixando, por vezes, contentes
túlipas e malvas de quintal.
E sobre tais flores de vaso,
falam-me os homens, sem atraso,
em línguas que não compreendo...
Aqui e ali,
primariamente selvagens
temendo passagens,
Obras, trechos e bagagens
que trago: sementes por terras além de mim.
Na escola onde aprendi a Primavera,
passou-me por dentro um Inverno qu'inda não clamou o fim.
[viver]
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