terça-feira, 25 de junho de 2024

No Fim


Há, por certo, o tempo certo
e a certeza em cada fim.
Há no tempo menos certo
o coração dizer que sim.
Há estradas e desvios,
barcos, velas e navios,
mar e sonhos por navegar...
à proa de recomeços,
de vitórias e tropeços,
onde a arte é caminhar.
Há lonjuras e rotas certas,
há lugares por desvendar,
há luares que não se viram,
céus ainda por chegar.
E se lua sai à noite
no seu vestido comprido
são de estrelas os teus olhos
brilho raro, destemido.
Segues certo do teu tempo
e do sol por abraçar,
do presente que te cruza
do futuro por traçar.
Abres o teu peito ao mundo
e o sorriso a quem te dás
sendo a esperança, lá no fundo,
um amor que a vida traz.

Há por certo o tempo certo
e o bater certo, enfim!
Se não é certo o que bate,
certo é: não é o fim.

terça-feira, 4 de junho de 2024

Quisessem os teus olhos

Quisessem os teus olhos nos meus
trazer o tempo que, por nós, nunca passava,
a ternura do olhar, que demorava,
alado, em sonhos, sobre mim.
Quisessem os teus olhos naufragar
sem pressa, nessa pressa em que te vais!
Ser porto, ancorar os teus sinais,
ser espera e a esperar dizer que sim.

Quisessem os meus olhos nos teus
plantar de amor eternas datas,
p'la luz da sombra em serenatas
de olhares futuros onde não viste
chegar, depois de um sonho triste,
a vida toda, entrelaçada!

Ai quem me dera assim,
Se assim fosse, quem te dera!

A normalização como absolvição colectiva

Poucas formas de absolvição colectiva são tão eficazes como a normalização. Reconhece-se o problema, permanece visível, continua a ser comen...