quinta-feira, 8 de junho de 2023

A Possibilidade dos Recomeços

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Na vida existem - e sempre existirão - períodos de mudança e transformação. À semelhança da transição entre estações do ano, também as etapas do nosso caminho são varridas por tempestades de inverno, ou abençoadas pelo florescer da beleza tranquila da primavera. O vento leva o que já não não acresce ou não nos serve a partir daí, e a chuva lava e purifica o que fica, preparando-nos para o período fértil dos recomeços. Das sementes que à terra deitarmos, nascerão as flores que nos acompanharão no caminho. E os sonhos, alimentados pelos nossos pés, beberão da leveza e da certeza que é por ali a estrada.


Cada um de nós é uno, mas os ciclos da existência individual não são tão díspares quanto possamos imaginar. Só a postura perante os factos e a inteligência emocional diferem, determinando tempos e modos de atuação, naturalmente diferentes.


Adiar mudanças, por um ou outro motivo, é comum. Mas existem aquelas que são necessárias, que sabemos serem a base para a nossa estabilidade, felicidade, bem estar. Estas, quando adiadas, vão abrindo espaço ao vazio, à tristeza, à ausência de realização pessoal, conduzem a perdas diversas no caminho e vão-nos consumindo até deixarmos de ser quem somos... no limite.


Não é fraqueza. É a vida a obrigar-nos a mudar.


Frequentemente, ao longo de um período demasiado extenso, afirmamos que o lugar onde nos encontramos não é o nosso lugar. Ajustamos as velas, mas não alteramos a rota. Até ao dia em que o casco onde navegavamos - e que nos faz - não suporta a última tempestade e afunda. Naufragada a vida, ficamos nós e o pouco que resta, à deriva, até que o mar nos devolva à terra.


Exaustos, paramos, pensamos e alguns agem.
É tempo de se ser criador de si mesmo. É tempo de efetivar mudanças. É tempo de retomar rotas anteriores e certas ou de iniciar novas estradas. É tempo de aceitar os lugares onde somos felizes, mesmo que a quilómetros de distância daquilo que pensámos ser. É tempo de procurar a leveza e o sorriso, abrir janelas ao sol e voltar a ser quem se é. Tudo o mais, o tempo e a verdade farão, garantidamente. Porque ela, a verdade, não poderá ocultar-se longamente.


Em  nós, ficará tudo o quanto for leve, simples e verdadeiro (mesmo que mais adiante, porque é sempre necessário reflorescer).
O lugar onde me encaixarei não é, de todo,  aquele onde presentemente me encontro. Mas sei-o adiante. E é para lá que me dirijo.
Por vezes, deixar capítulos para trás é o caminho certo.

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