quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Lançamento do Vol I da Antologia Do Mosto à Palavra

Na sequência do anúncio feito aquando da entrega do Prémio Literário "Do Mosto à Palavra", no evento com o mesmo desígnio, realizado a 27 de Maio do presente ano, irá ser apresentada no próximo dia 18 de Novembro a respetiva Antologia que compila os textos submetidos a concurso. 
O evento realizar-se-á na Herdade do Monte Novo e Figueirinha, mediante a parceria improvavel entre as 3 empresas por vós já conhecidas, Hall Paxis, Chiado Editora e Herdade do Monte Novo e Figueirinha.
Será para nós um gosto tê-lo presente, naquela que podemos assegurar vir a ser uma tarde diferente, especial e bem passada, à boa maneira alentejana é claro!




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sábado, 21 de outubro de 2017

Espero por ti ao pé da ponte

Esperei por ti ao pé da ponte
florida, na esperança vã enfeitada
se adentro p'lo mar dos meus olhos,
te visse vinte e oito passos apressada.

Chegavas-te a mim com três laranjas no regaço
em tom d'embaraço por não te saberes explicar,
na demora em me abraçar, cem braços de rio por navegar
mil palmos de terra por explorar
e dez mil milhas de sonhos por cumprir.
Deixei-te rir, nervoso miudinho
de quem não me conhece o dorso
e sabe que nele terá que embarcar.

Aqui, deste lado da ponte, não há quem sou.
Mas acolá, onde os pássaros cantam,
onde as flores encantam
e onde a humanidade nasce em ramos de alecrim,
há um jardim de sonhos encantados,
por mim semeados
- enquanto te esperava do lado de cá -
cantei o credo, cândida à fonte
para que os regasse, até que a hora chegasse
e em ti brotasse a vontade de me ter.
Felicidade que andais perdida com três laranjas no regaço...
em passo baço, de quem não luziu ao nascer.
Vem sentar-te nas minhas costas
e deixa-me ser escrava de tuas viris vontades
alimenta-me com o sumo da tua laranja
e deixa o excesso escorrer pelo meu queixo...

(não é desleixo) e lá em baixo,

no lazarento jardim dos meus sonhos,
será fértil tudo o quanto dele beber.

Vem, que por ti ainda espero ao pé da ponte.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

De um país de doutores, à tragédia de um país de especialistas

Ou como disse Heisenberg (e bem), “Um especialista é alguém que sabe quais os piores erros que podem ser cometidos na sua área e os evita".

Oh Portugalito, e o que andam tantos especialistas a fazer contigo?

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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Dá-me tua mão

Agora, difícil é expulsar o frio do inverno que parece ter atravessado o calendário, para além do seu tempo, instalando-se nas almas de quem ficou e viu partir, em cinzas, as suas primaveras.

 

MAUS TEMPOS

Agora nos calamos
E já não mais cantamos.
Nosso passo é pesado.
É a noite, o seu tempo é chegado.

Dá-me a tua mão,
Talvez que seja longo este caminho ainda.
E a neve cai, a neve!
O inverno em terra estranha nunca finda.

Onde está o tempo
em que uma luz, um lar por nós ardia?
Dá-me a tua mão.
Talvez seja longo este caminho ainda.

Herman Hess

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Ser-se mais qualquer coisa

Primeiro esgotaram o tempo
sem parar e tirar o relógio.
Esses que vivem agora sem espaço
cronológico.
Seguem já sem propósito
não sonham, não sentem
não falam só mentem
a si próprios, devastados.
Seguem a corrente de gente
que se diz cansada
de ser quem é! 
Já sem querer ser mais qualquer coisa.

Sabem lá de si,
do tempo e do espaço onde ficaram
os sonhos que nem começaram
a sonhar. – Quanto mais a viver. 
Ouvem e repetem como se fossem suas
todas as queixas
todas as deixas
de alguém que as escreveu para se expressar.
Já não sabem sentir. 
Já não sabem pensar. 
Já não sabem falar por si. – Há que citar
quem ainda vive, ou viveu 
com tempo para ser mais alguma coisa.

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A normalização como absolvição colectiva

Poucas formas de absolvição colectiva são tão eficazes como a normalização. Reconhece-se o problema, permanece visível, continua a ser comen...