domingo, 31 de julho de 2022

I see blue

I see blue
in your fading face...
two hands are open
and the street lights are broken
In the middle of the night.

I see blue
where the wild fire burns
above the window.
Is narrow...
and you walk on the road of no return.

I see blue
on people's shoulder
looking for rescue in everyone,
looking for home in every town,
but their souls are nowhere to be found.

I see blue
in the round ring of their lifes,
when time runs in a circle
and a last mantle keep their apart.
Where's the heart?
I see blue.

I see blue
but I'am blind...
I'm looking for a fading star
on the ground
It's on my mind?
I've been painted the sky
on the streets' floor of this town,
while I saw blue...

Blue

 

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Linhas Cruzadas



Às vezes, dentro da gente,

trazendo a verdade ou dizendo que mente,
sussurra uma voz baixinho
memórias que danço sozinho,
caiadas de branco no meu coração.

Às vezes, segreda-me a vida uma canção de vento,
portas de outrora onde agora me sento
e escuto o regresso, trajando razão.
São poetas, as ruas que me guiam e desviam
das linhas cruzadas na palma da mão.

Venho de perto, estando tão longe...
eremita da vida, hábito de monge
trauteando lugares por descobrir.
Poemas e vozes trazidos por dentro,
paixões velozes e o desalento
de não habitar lugar nenhum.

Às vezes, fico ao relento contigo,
trocamos olhares e cantigas de amigo
que me devolvem à janela dos teus olhos.
Retratos de onde os meus já partiram...
tanto sorriram e agora choram.

Às vezes, dentro da gente,
sussurra uma voz que nos sente e segura,
nos agarra e nos cura,
conserta e empurra
de volta à canção.

Às vezes, só sabe a gente,
onde toca o coração. 

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Verão Fúnebre

Oh Pátria, herege pátria!
Passasse um cometa no teu rosto sepulcral…
Soasse, longínqua, a harpa de Orfeu
e chovessem, pela mão direita de Zeus,
sobre teus cabelos de ouro,
águas mansas de cristal.
Deserta até ao osso,
tráz, o verão, a morte à terra;
notas graves, cânticos de fogo,
severa estiagem, fundo sem poço,
ventos mortais, cinzas na serra,
secas estivais, a sede  impera…

- Ansiada quimera! – grita o Homem
sem condenação,
assistindo ao enterro da Fénix,
cem vezes morta,
pela mão criminosa da mesma Nação.

Corações descalços caminham sobre as cinzas;
cansadas, as lágrimas, sobre a semente do pão;
Heróis de combate empenham suas vidas,
em cenários de horror e destruição.

Especialistas, os tempos, e de opinião,
letais são os donos das vozes da razão.

 

 

👩‍🚒🔥
Escrito há 8 anos, mantém-se, ano após ano, actual.
O cenário desolador, um pouco por todo o país, a bravura e constância dos operacionais no terreno, numa luta desigual. A mão criminosa, bárbara, doentia. As opiniões - que disso não passam. A razão que a ninguém pertence. O luto das terras, das vidas, do pão.

A normalização como absolvição colectiva

Poucas formas de absolvição colectiva são tão eficazes como a normalização. Reconhece-se o problema, permanece visível, continua a ser comen...