De tudo ficou um pouco,
nas mãos vazias e gastas,
castas de amor.
Bagos de vida
e sonhos podados ao sol posto,
deposto o gosto do fruto
tardio, estranho à época.
De tudo ficou um pouco,
no molde dos passos vincados
nas ruas que não servem a ninguém.
Vazias e gastas,
cansadas, tardadas as gentes,
as almas, as vidas, alguém
que fique... um pouco.
Tão tarde, a manhã, tão tarde...
e antiga, a vida, colhida a romã
renascida do ramo de crenças que arde
na arte de tecer, à negra que bale, a lã.
De tudo ficou um pouco
e o tempo avança
depressa demais.
A mais, e estrangeiros ao pensar,
os outros, à esquina do futuro sentados
jogando cartas à sorte de nada saber...
Que bom seria beber
à sombra da batota do seu jogo de nada,
onde é pouco tudo o que fica por viver.
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