Não quero da noite as confissões famintas,
nem das estrelas a luz brilhante em meus olhos.
Não quero saber do que não sei que em ti brilha,
ou na sombra te coloca o coração,
quando a minha mão na tua mão
escurece o céu
para que cegos, os astros se revelem
à nossa passagem interdita.
Não quero do sol as revelações diurnas
das impossibilidades que o caminho oferece.
Somos nós quem os sonhos tece
e quem, por vezes, se esquece que na vida
o acaso só acontece perto do fim
de um caminho já cansado que se trás.
E se à porta baterem futuros,
que não se sente à mesa o passado,
nem se faça presente o que não nos sorri.
Nada sei sobre os jardins que percorri,
onde nada colhi, nem sementes deixei...
Mas a lua ainda brilha
e a noite ainda dorme...
há um véu sobre as ruas
e é céu o nosso abraço.