Parar o tempo ou inverter as cores do céu?
Entre um instante e o adiante, ficar!
Permanecer e, por descuido, viver...
Ou direi, sonhar?
Sem demorar, estender as asas e voar
dentro do peito...
Planar.
Pousar levemente no enlace infinito do olhar...
E regressar à realidade da pressa do relógio
que avança sem chegar...
"a casa".
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
domingo, 26 de maio de 2019
Entre um instante e o adiante
sexta-feira, 10 de maio de 2019
Ser
Esta manhã despertei com a voz do silêncio a segredar-me ao ouvido, numa melodia doce e calma, o significado de tudo quanto o ruído não diz.
Pelo vidro fechado, espreitavam, suspensos pela ousadia muda em que eu lhes sorria, os sons do quotidiano adiado, da vida sem tempo que não pára, tão pouco para que seja vivida.
Esta manhã despertei e o silêncio abraçou-me, como por vezes se abraça o que se sente e não se diz. Contra o peito, onde o sonho faz leito e o coração imperfeito ressoa…
Esta manhã deixei que os meus olhos pousassem noutros olhos sem cor, lentamente e devagar, como quem lhe lê a História.
-A menina não sabe para onde ir…
-Queira aceitar as minhas desculpas, não era minha intenção transtorná-lo.
- Não sabe se caminhe para dentro e me leia o passado, ou se se mantenha parada e me observe o presente.
(sorri)
- Tráz realismo nos olhos.
- E a menina tráz sonhos. Tantos quantos as histórias que lhe poderia contar sobre lugares inquietos onde não chega ninguém.
- Talvez o senhor seja um deles…
Falou-me de si, não mais do que a duração do silêncio que trazia no bolso.
E falou-me de mim, no prazer incomum de uma conversa muda, ao jeito simples do olhar de um estranho que não julga nem se importa com o que visita em nós:
- … dos lugares misteriosos onde não chega ninguém.
(Porque por vezes sou apenas silêncio…)
quinta-feira, 2 de maio de 2019
Ficar
Vinha do sul ou de um verso imperfeito,
da estrada que nasce para além do olhar,
da vontade silvestre, do terno desejo:
O abraço sem pressa, onde se quer ficar.
A normalização como absolvição colectiva
Poucas formas de absolvição colectiva são tão eficazes como a normalização. Reconhece-se o problema, permanece visível, continua a ser comen...