E se a vida mais não for do que o avesso de si própria?
És tu quem nos espera
do lado de dentro do inverno:
estigma de flor
erguendo a lua
e prolongando os dias verdejantes
num olhar, arado de esperança,
que aberto avança p'las tuas mãos
estranhas à desistência;
procurando abrigo entre os sonhos
risonhos e perpétuos,
refúgios inquietos
que o tempo abriga
sobre o sorriso de quem te vê passar.
Gesto necessário à correcção do Sol
que tudo pode...
no poder declarado de quem cega
à visão a cegueira de não ver
que em ti nos recolhes todos os dias.
Reunindo na sombra a ignorância,
sob um manto de versos ignóbeis e frágeis,
é por ti que jogamos sementes à terra,
mesmo que nada brote para colheita,
das palavras e do vento
que no presente nos enlaçam
e abraçam crentes...
Amanhã.
Serão sempre mais belas as flores que não se colhem. Apenas se contemplam:
Mãe.
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