Temos vindo a adoptar, ao longo dos tempos, um sentido de progresso linear onde se crê que será o futuro sempre melhor do que o passado. Sem, no entanto, considerarmos que a vida sempre se revelou cíclica e que, embora os progressos em diversas áreas sejam evidentes, também eles poderão ser suspensos, de tempos a tempos, como acontece em períodos de crise.
O mundo dos negócios não é inteiramente controlável. Composto por factores internos, externos e variáveis, algumas aleatórias e imprevisíveis, requerer lideranças ágeis, humanas e competentes, de mentalidade aberta e visão infinita, conscientes da necessidade e aceitação de alteração das regras, durante o jogo, consoante o seu decurso.
A capacidade de reacção às adversidades, a visão de oportunidade, o tempo de resposta, assim como a sabedoria de utilizar o erro como fonte de aprendizagem, são competências fundamentais quando se enfrenta uma crise. Todavia, os resultados das organizações - em períodos de crise ou não crise - são resultado dos contributos dos seus líderes, mas também do seus liderados. Sempre.
Frequentemente, em alturas controversas, nomeiam-se bodes expiatórios, a quem se possa imputar responsabilidades. Sejam elas de que natureza forem. No limite, serão os próprios clientes um incómodo, residindo neles a "culpa" dos resultados. Isto acontece por falta de preparação para os cargos de liderança, excesso de ego, desenquadramento, acompanhamento insuficiente do e no terreno, resistência à mudança e desvalorização de sinais pré-existentes. (As crises antes de emergirem já criaram raízes).
Assumir a solidão do poder - ainda culturalmente aceite em muitas organizações - impede o contacto directo entre líder e liderados, bloqueando a interacção e a percepção da realidade, abrindo espaço à destorção e suposição, em canal aberto, de informações nem sempre objectivas e fidedignas, capazes de comprometer respostas superiores.
Do lado oposto, assumir a frente da batalha e dar o corpo às balas, na consciência de que é a dedicação, a vontade, o esforço e o empenho que constroem resultados, vestindo-se a premissa de que é, o trabalho, missão muito mais do que sucesso, permite maior consciência do terreno e do quadro de operações, assim como das suas variantes, necessidades e dificuldades, facilitando a actuação e o rigor das medidas a implementar.
Assumir que não se tem respostas para tudo, que errar é humano e que a ajuda das equipas é crucial para vencer tempestades é o primeiro passo para aceitar a exposição ao terreno. Já a transparência, a presença, o apoio e a disponibilidade em situações de maior fragilidade organizacional, resultarão no fortalecimento do elo de ligação entre os diferentes níveis da pirâmide, cimentando o respeito, a lealdade, o compromisso e a motivação dos operacionais em tempos adversos. Porque as organizações são edificações colectivas, no melhor e no pior e, quando se integra de uma cadeia de valor, todos são responsáveis pela queda e pela rapidez da sua recuperação.
Porque liderar nunca foi chefiar ou ordenar, a liderança conduz e desenvolve pessoas, no presente, rumo ao futuro, através do exemplo, tornando-as parte da solução e da construção do novo.
Ninguém é sozinho.
"Liderança não é sobre títulos, cargos ou hierarquias. Trata-se de uma vida que influencia outra” – John C. Maxwell.

