Por baixo da pele não há quem és.
És outro, não tu.
Não quem eu vejo. Não quem diz ser.
Por baixo da pele não cheira a impunidade. A sensatez.
E a dignidade, que era robustez e se desfez,
deixou à vista estilhaços e enchumaços
da hipocrisia que ostentas, mas não vês.
Há no teu sangue crimes de guerra
que a sociedade enterra para não ver.
(Será ela quem diz ser?)
E nos teus ossos, destroços
de vidas idas, perdidas, desfeitas e esquecidas
entre delitos , conflitos e divergências de pigmentação,
orientação, ideologia e religião
dos filhos a quem negas a mão.
Já cheira a fel o teu hálito,
por tanto de nós devorado,
expugnado, assassinado, desumanizado.
Por baixo da língua, diz-me, quantos em ti morreram?
Cemitério do povo.
Conto-te nos olhos o mísseis prontos a disparar,
quando finges chorar
à margem dos morreram sem te olhar,
em campos de concentração e horror.
Crianças e adultos inocentes,
globais interesses existentes -
e nós? Sem chão onde nos salvar.
Sempre que o teu ódio rebenta,
Verdadeira tormenta!
Terra Santa sangrenta.
E um dia irado, menos forte e julgado,
farás uso do crânio
para nos brindar ao urânio
que a todos servirá de mortalha.
Por baixo da pele não haverá ninguém.
[ Incompleto, à data. Ou talvez não... O Homem é homem e a História repete-se... ]