Eu já quis mudar de rua
minha porta, porta tua
deitar-me na mesma morada.
Cruzar de encanto o caminho
cabisbaixo e tão sozinho,
correr mundo de mão dada.
Quis olhar-te da janela,
meu coração sentinela,
em singela assoalhada.
Viver sem tecto, nem paredes
ter nos teus, meus olhos verdes
e contigo ser casada.
Roubar à rua o coração,
tê-lo na minha canção
e nos barcos que navegam
teus mares desencontrados,
sonhos outrora roubados
por fascínios que te negam.
Eu já quis e já não quero,
se é tarde e ainda espero
à tua porta sentada...
Pela vida que fingias
querer ter, mas não querias...
Contigo quis eu ser casada.
Se é tarde eu já não espero,
sou mais uma que te nego
o meu barco agora parte.
Não fiques à minha porta,
se é tua a chave que entorta;
quem te quiser, que te aguarde.
Não fiques à minha porta,
se é tua a chave que entorta...
Quem te quiser, que a guarde.