quinta-feira, 19 de março de 2020

Quando os filhos não têm um super-herói, mas sim uma super-guerreira

[ Feliz dia do pai, mãe!] 


Elas são mães e pais, não necessariamente por esta ordem, mas em simultâneo. Super Guerreiras sempre com a espada numa mão e o coração como escudo na outra.



Esse é o seu papel principal, embora se desdobrem em tantos outros, num curto espaço de 24 horas. Não têm tempo para ler o guião, por isso improvisam. A intuição de que são dotadas raramente as deixa ficar mal e, quando se trata dos filhos, nem o cansaço as vence.

Enquanto são mãe e pai são também cozinheiras, lavadeiras, faxineiras, professoras, educadoras, amigas e companheiras, conselheiras, organizadoras, trabalhadoras num qualquer departamento, entidade, empresárias ou negociantes, são filhas, são amigas, vizinhas, enfermeiras particulares e médicas sempre que necessário, motoristas, jardineiras, anjos da guarda ou polícias, por vezes até cientistas, pagam contas, esticam dinheiro e inventam tempo para serem um bocadinho elas próprias, também.Tudo isto sem perder a pose de senhoras, num corpo feminino que aconchega os filhos no colo,  se moldam às cabeças no ombro, sem se esquecer que um dia já lhes deu de mamar.


São donas de um corpo e de uma mente com a flexibilidade necessária a cada nova situação e dsafio. A voz doce e meiga que os protege, com a necessidade pontual da autoridade e severidade que os alerta e coloca em sentido.

Super Guerreiras. Para elas não existem dias de folga, não existe um "toma agora tu conta deles para eu descansar". Tudo para não falar da necessidade quantas vezes adiada de privar consigo mesmas, privilegiarndo de alguns momentos sozinhos ou junto de quem lhes quer bem. 

São a presença feminina assídua, perante uma ausência vitalícia e premeditada da figura masculina. 

Aos filhos preenchem silêncios, para que estes não falem tão alto. Ocupam-lhe os momentos mortos para que eles não tenham tempo para sentir a falta de um pai ausente, mas também lhes ensinam que, para quem realmente importa, não existe ausência nem falta de tempo, que lembrar não é estar presente, que pai não é só um nome comum, nem um estatuto adquirido, mas sim um adjetivo caracterizador e complexo. Que os direitos são para quem assume os deveres e que uma pensão de alimentos não serve para uma mãe se governar, mas sim para ajudar a suprir as necessidades essênciais e educacionais de um filho. Ensinam-lhes que o dinheiro compra bens materiais, brinquedos e objetos supérfluos, mas não compra amor, carinho, amizade e atenção. Ensinam-lhes que, sempre que o telefone não toca, nem a campainha da porta se faz ouvir, existe uma outra porta na vida que, apesar de tudo, não se deverá ser fechada. Mas que só a atravessa quem realmente quer, sem necessidade de ser convidado a fazê-lo.

Acima de tudo e de qualquer outra coisa, ensinam e demonstram todos os dias úteis, feriados e fins de semana, a tempo e horas ou fora delas, que um coração de mãe é infinito.

3 comentários:

P. P. disse...

🌼🌹

cheia disse...

Feliz dia da Mãe.

Rita PN disse...

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...