A rua desce
e eu permaneço parada.
Sobes. Persisto.
No mesmo lugar, desarmada, resisto
e insisto em não recuar.
Vil te sei. Cruel e bárbaro
menor que ácaro...
Persistirei.
Talvez mais só. Mais do que antes,
oculta em ecos distantes
fechados atrás de mim.
Persisto. No mesmo lugar.
E a rua desce.
É medo aquilo que cresce
contigo para me derrubar.
Persistirei.
De pé! E vencerei, sem te pisar.
Sei de cor o cheiro do horror,
a paleta do terror
e a vibração do temor
que já trouxeste.
Mas sei, também, a grandeza do amor
e brandura do calor
de um abraço celeste.
Verde esperança que disseste
que não teria.
Persistirei.
Talvez mais só. Mais do que antes.
Mas discreta. E abrirei,
nesta mesma rua, parada,
as minhas asas de fada
depois da tempestade suir.
E aos que hão-de vir,
com fome no coração,
dar-lhes-ei a mão
e o perdão que nunca lhes saberás pedir.
E hão-de vir...
Cegos, desnutridos, sedentos,
doentes e rasgados por dentro,
perdidos, sem títulos, nome ou religião;
a criança, o adulto e o ancião.
Hão-de vir...
Os loucos e os encantados,
os viris e os apaixonados,
os sonhadores e os desacreditados.
Hão-de vir...
Talvez mais sós. Mais do que antes.
Talvez mais unos. Mais tolerantes.
Hão-de vir.
Persistirei.
2 comentários:
Gostei.
Muito. 🌸
Muito obrigado pela visita e pela leitura 🌼🌈 Que tudo esteja bem! Um beijinho
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