Quando todas as estações passarem,
ainda estaremos sozinhos?
A terra chamar-nos-á os pés:
chão de pão onde luziam
marés tardias e trigais,
vestes douradas e pardais
voo de semente que ofereciam.
Pedir-nos-á, depois da guerra,
o mesmo chão, a mesma terra
que reguemo as fontes
mais secas de Esperança.
E, pela bonança, que nos atravessemos,
pontes de aliança, sobre a humanidade.
Cuidados nos exigirá
após eclosão universal da semente.
Fome de pão. Fome de gente.
Desabrochando lentamente
ante o passar de todas as estações.
Não ficaremos sós.
Plantado o chão, plantada a terra
e o coração dos homens a quem o ódio não ferra,
abrir-se-ão, novas, as fronteiras
e o Amor regressará
também ele devagar...
à terra onde há-de nascer:
Chão
Depois do vão, depois da guerra,
da volatilização humana da Terra,
para dormir na nossa cama
antes das estações passarem todas por nós.
Não. Não ficaremos sós.
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