Passos frios,
de pedra em pedra, calçada
desgastada pelas solas do silêncio
amargo e profundo.
Mel no olhar derramado
lentamente, à passagem das mãos vazias
pelos dias.
Vai tudo dormir.
Ouve-se o reflexo da lua no mar
r e v o l t o. E o amor antigo
que os cascos dos navios fazem
com a tempestade.
Vai tudo dormir.
Os jardins descansam.
Cheira a melancolia.
Travo a estrelas cadentes.
Nos bolsos guardado,
enjeitado sonho taciturno...
passeio noturno
pelo calçadão da vida.
Vai tudo dormir...
... quando, um dia, se abate
o lençol de pedra sem arte:
- Antes existir!
2 comentários:
Faz parte da nossa existência, todos os caminhos e sentimentos que percorremos apenas cá dentro.
Tudo é vida, tudo é amor, tudo é sonhos e ilusões, dor, saudade... Tudo existe, e é algo ainda maior que nós, pois existe com mais vontade de ser que nós mesmos!
Atravessaremos muitas calçadas frias e escuras.
Derramaremos muitas lágrimas de saudade e/ou de carinho, mesmo que só nosso.
Os jardins também os vemos desflorados e queimados pelo frio, mas esses esperam sempre a primavera.
Momentos acontecem que podiam ser tanto mais, mas mesmo os fantásticos abandonam-nos, assim como as estrelas cadentes abandonam os céus - E nós, como os céus, tantas outras temos, e quanto à que caiu, será a memória da sua luz que se recordará, pois o brilho intenso não se perde num momento, quando tantos outros ofuscam o nosso olhar (mesmo que escondidos).
E nos nossos bolsos sempre teremos a chave que abriria a porta que não nos atrevemos a abrir, um sonho muitas vezes esquecido ou abandonado, pois o receio de ele não se concretizar ou de se lhe perder o carinho é sempre presente...
Quando, um dia, refletimos a vida... Dizemos - Isto é existir!!!
Existe um intervalo de tempo entre o nascimento e a morte, esse espaço é o que somos.
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