Quero esquecer-me de tudo.
E varrer a caruma do caminho velho,
que a leva, em voo vazante e esquecido,
para lá da minha lembrança.
Quero esquecer-me da voz
que já não oiço, porque me mente:
eco displicente e taciturno
dos passos decompostos que te trouxeram.
Quero esquecer-me dos lugares que não existem,
senão mais no ensaio do que não foi.
E quero que a cinza, ardida a história,
se dilua nos braços das primeiras chuvas.
Inglória memória, para que te quero?
Arrasta-me, como a corrente do rio onde nasci,
para lá da margem que me atravessou o peito,
por punhal e rosas desfeito.
Quero esquecer-me de ti.
Quem és?
Se mais poder encerra a poesia do que as armas,
hoje é o esquecimento quem te leva para lá da poesia.
Olvido-te.
2 comentários:
A voz é de fácil esquecimento, já as palavras... :-)
Palavras anónimas são como as histórias anónimas, não se escrevem, não se ouvem, nem se dizem.
:)
Um dia tudo é névoa!
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