sexta-feira, 13 de julho de 2018

Plenitude

Quero o silêncio.
Só.
A ausência plena de tudo:
do tempo e das demoras,
das angústias e das auroras,
das paredes de murmúrios pulsantes,
dos tropeços e começos,
dos encontros enviosantes
e desconcertantes memórias,
das alegorias de bandeja,
e da frívola sombra
que sobeja de mim.


Quero o silêncio
Só.
das palavras mudas,
da respiração suspensa,
da pulsação que não sinto
e do grito em que minto o meu nome.
Quero o silêncio.
Só.
O completo mutismo da quietação,
a ataraxia do coração
e a tua solidão por companhia.


Plenitude:
Para te amar, não preciso de nada além do silêncio.


 

2 comentários:

Ana Silva disse...

Passo aqui só para descansar.
Saio daqui revigorada.
Obrigada

Rita PN disse...

Ana, que comentário tão bom. Encheu-me a alma. Obrigada pelas palavras e pela leitura. Sempre que precisar de descansar é bem-vinda!

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