quinta-feira, 26 de julho de 2018

Pertença


Deixei que a paz me entardecesse.

Aqui. Queita.
Entre a melodia das coisas miúdas.

Da flauta pastorícia soluçam notas,
e eu sou fuga para a harpa do vento,
solta e incerta.
A  água corre entre as pedras
e som das raízes desperta
para o silêncio das cores.
Se fores,
deixo que o fim da tarde me suje de azul…

Noturnam-me claras, as águas;
e o fim do mar anoitece.
Padece a monocromia, no peito
que se acende à prata do céu.
Se fores,
deixo que a janela enluteça
e não mais amanheça a tela lírica dos pardais.

Não tenho terra
onde me pertença mais do que a mim.

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