Deixei que a paz me entardecesse.
Aqui. Queita.
Entre a melodia das coisas miúdas.
Da flauta pastorícia soluçam notas,
e eu sou fuga para a harpa do vento,
solta e incerta.
A água corre entre as pedras
e som das raízes desperta
para o silêncio das cores.
Se fores,
deixo que o fim da tarde me suje de azul…
Noturnam-me claras, as águas;
e o fim do mar anoitece.
Padece a monocromia, no peito
que se acende à prata do céu.
Se fores,
deixo que a janela enluteça
e não mais amanheça a tela lírica dos pardais.
Não tenho terra
onde me pertença mais do que a mim.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
quinta-feira, 26 de julho de 2018
Pertença
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