terça-feira, 17 de julho de 2018

Deixem-me Chorar

 


Deixem-me chorar as notas, as letras e as cores das memórias onde me deito.
Deixem-me chorar a dor, o vestido azul, o abraço e a ternura do lençol onde naufrago.
Deixem-me chorar o tempo e o sofrimento decidido. Deixem-me ficar latente, a definhar na almofada dos sonhos desfeitos.
É, por vezes, preciso soluçar o rio da angústia para a poder suportar.
Sigo em noctívagos prantos, tateando e tropeçando no que foi. Ainda não sei andar por aqui... por vielas estreitas e caminhos sozinhos onde os meus olhos, consumidos pelo grito da lágrima quente, perderam a luz.


Ah…! Deixem-me chorar o que não foi e tudo o que ficou por ser. O mais que viria, tudo quanto sabia que tinha raízes para se erguer. Deixem-me chorar o amor.
Deixem-me aqui, chorando de mim e comigo. Deixem que me doa. Que me rasgue. Que me mate. Que me consuma o rastilho e me dinamite o coração. Deixem-me estar só.


Sem murmúrios. Só o silêncio, eu e a dor.


 

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