Há sempre outro sol, outra estrada,
Uma improvável flor na calçada,
um abraço onde falar de amor.
Há sempre outra hora marcada,
se a vida nos foi adiada,
bateu forte e despojada
duvidou da sua cor.
Há sempre outro chão, outra foz,
um peito onde adormecer os sonhos!
Um cais que espera por nós,
depois do breu
dos tempos sós.
Há sempre verde uma esperança
em quem, por nós, fica e avança,
para que a lua nasça e nos fascine.
Há sempre, no sabor doce da lembrança,
uma eterna e cândida herança
que o amor nos concedeu.
E se incerta a hora tardar,
Há uma luz no teu olhar
que te indica a direção.
Nos tumultos desta vida,
não há sombra nem ferida
que perdurem…
à luz mais bela e antiga
do teu nobre coração.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
sábado, 15 de novembro de 2025
Há sempre
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4 comentários:
Gostei.
Muito obrigado pela visita e pela leitura :)
Adoro como as vezes os seus poemas parecem serpentear fluídos como rio, cheios de peixe e metáforas que podemos pescar e ler.
Um abraço
Eugénio
Muito obrigado pelas bonitas palavras! E também pela visita e viagem neste poema, Eugénio!
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