Traz a alma na ponta dos dedos
e ao peito o mundo.
A nota que rasga a palavra,
entre os vagarosos silêncios
de uma guitarra
que, ao longe, toca baixinho.
Fluem cores no horizonte
e um cego vê para lá de um muro.
O ruído cessa
o mundo abranda
e a música abraça a esperança
que enlaça
o voo tingido de uma borboleta
a quebrar o casulo.
A vida
a viagem
a passagem
e o poente, de um sol dedilhado
que descai, persistente
sobre o regaço do mundo.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
Alma
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2 comentários:
Lindo texto! Cheguei ao fim com a sensação de que devia levantar-me e aplaudir… mas o gato está ao meu colo e já sabe mais de poesia do que eu.
A única nota que eu rasgo é a do supermercado, e mesmo assim sem este lirismo.
Parabéns — ler isto foi como ouvir fado com subtítulos filosóficos.
Muito obrigado pela leitura e pela honra deste comentário cujo final me fez, efectivamente, sorrir.
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