quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Asas

No ritual de quem parte,
rasgando, ao céu, o véu
com arte
de quem seduz a luz
e dança nas asas
dos recomeços.

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1 comentário:

Francisco disse...

Eu, se volto a dar uso às minhas asas, hei de ir ao encontro de mim mesmo, aquele que fui, o que cumprimentei e a que fugi tanto tempo, com visitas regulares por não me ser capaz de o deixar, ou demasiado ingénuo para conhecer mais de mim!

O conforto de me ser só para mim, o pensar que me chegava sem questão que não a minha, a minha solidão abraçada, por mim!
É isso que a minha mente quer, sinto-lhe pedir-mo. Não quero voltar ao meu silêncio, e no entanto reflete-se ainda em tanto naquilo que sou.
Não queria que me fosse o mesmo apenas o que a alguém tenho que entregar.
Não me queria pertencer no ato de amar, para poder-me largar de mim, e ser o sentir!
Em mim vem a questão silenciosa, o beijo por dar, um amo-te em sinais gestuais, que não soube gesticular...
Fiquei cansado de tudo isso, e, no entanto, se me deixar ir, serei tudo isso, e mais, por todos os dias mais me ter por dentro.

''A minha liberdade são as minhas amarras'', disse-o, há tanto tempo, mas nunca o esqueci. Não posso ser livre, não me posso dar ao luxo de me ser, sem me controlar.
Eu, todo e completo, o sentir e pensar em uníssono, o toque e a fala... Será tudo por dentro, e a minha alma assim o quer, para meu desgosto.
Batalho todos os dias, pois, como o disseram, e não me vou esquecer nunca, dito por quem o disse ''Talvez aqueles de que gostamos mereçam mais que os nossos silêncios'', e sim... Merecem tanto mais, que já me chego a gritar por dentro, para deixar a alguém um segredo...

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