No decote da noite emaranhada,
Num fio de cabelo que ficou
Pousado na memória enevoada
Dos traços que o destino não juntou
Desceu às estrelas, a correr
Como quem quer delas apagada
a luz no peito ao adormecer
em braços nus de lua, enamorada.
Foi Deus chamado e não ouviu,
nos olhos, tom de sonhos adiados,
a valsa da paixão que não seguiu
dos astros, os acordes alinhados.
Se era tempo amarrotado ou o segredo,
de se ser mais caminho do que chão,
de se ser mais fissura que romance,
de se ser mais no remendo, o coração.
2 comentários:
tão belo o seu poema! Tão belo!
Abraço
Eugénio
Muito obrigado, Eugénio. Fico feliz!
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