quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Fado de uma Saudade


Aminha saudade veste fato,

agitado por estro profundo.
Ávida do mundo, prende-me
num livro de folhas impossíveis, 
que se abre para dentro
sobre ideias complexas
e palavras desconexas 
de um poeta, homem sozinho. 


A minha saudade veste sonhos 
e encantos - tantos - de menino,
calça outros quereres e ambições,
marca o compasso, faz o caminho.


A minha saudade inquieta,
à noite de solidão trajada, 
duramente e sem entrega,
por coração que não sossega, 
traz a alma desolada. 


A minha saudade tem rosto, 
passos largos e o amanhã na voz.
castanhos enredos, entre os dedos,
amores, nascentes e foz.


A minha saudade tem nome
que se bebe sábio nos lábios idos...
E traz poesia no bolso, 
d'amor sentido, sem nele entrar.
A minha saudade é desgosto
de um sonho vivido e por inventar.

2 comentários:

Fox disse...

Intenso.
Arrebatador.

Rita PN disse...

Muito obrigado! Boa semana.

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