Aminha saudade veste fato,
agitado por estro profundo.
Ávida do mundo, prende-me
num livro de folhas impossíveis,
que se abre para dentro
sobre ideias complexas
e palavras desconexas
de um poeta, homem sozinho.
A minha saudade veste sonhos
e encantos - tantos - de menino,
calça outros quereres e ambições,
marca o compasso, faz o caminho.
A minha saudade inquieta,
à noite de solidão trajada,
duramente e sem entrega,
por coração que não sossega,
traz a alma desolada.
A minha saudade tem rosto,
passos largos e o amanhã na voz.
castanhos enredos, entre os dedos,
amores, nascentes e foz.
A minha saudade tem nome
que se bebe sábio nos lábios idos...
E traz poesia no bolso,
d'amor sentido, sem nele entrar.
A minha saudade é desgosto
de um sonho vivido e por inventar.
2 comentários:
Intenso.
Arrebatador.
Muito obrigado! Boa semana.
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