Pudesse eu ser grão de poeira infinita
e caber, inteira, nos intervalos curtos
do tempo lotado que nos roubou a vida...
Pudesse eu ser partícula de estrelas
e preencher o manto negro derramado
sobre o já cansado e inabitado
espaço livre do teu céu...
Pudesse eu caber inteira
no vácuo da pressa do relógio
que se esgota sem nos levar
à plenitude da calma,
p'las asas da alma,
ao refúgio do amor.
Pudesse eu ser grão de poeira infinita
e caber, inteira, em ti...
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
quarta-feira, 11 de julho de 2018
Poeira d'amor
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5 comentários:
Pudéssemos nós ocupar um espaço maior que o nosso pensamento... :-)
Sendo o pensamento uma vastidão, a roçar o infinito, tal como o amor, quando nasce, seria perfeito que, duas almas juntas preenchessem o universo.
Eh pá... tão lindo *_*
Pudéssemos nós caber num infinito olhar!
Pudéssemos...
E, por vezes, pudesse o infinito caber em nós...
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