quarta-feira, 21 de março de 2018

Aos Poetas, neste Dia Mundial da Poesia

17390425_10208465484811558_289893643186807238_o.jp


 


 


 


Poetas.


Seres que só sonham. Seres que só sentem. Essa sede que têm de amar a tudo e a todos. Até a vida.



Poetas.
Esses seres que vivem do avesso, com o coração de fora. Que estranha forma de vida...
Os Poetas nada sabem, senão da vida. E tudo o que sabem já é demais.
Os Poetas usam-te. Usam-te os olhos, o nariz, os lábios, cada fio de cabelo, até a sola dos pés. Descrevem-te os contornos e embelezam-te a alma, mesmo quando negra.
Já os vi usar paisagens, cidades, edificios inteiros, recantos escondidos, a terra e o mar, o céu, a lua, o grito e o silêncio, o Mundo. A guerra e a paz, o rico e o pobre, o bonito e o feio, o amor e o ódio.
Os Poetas são especialistas em sentir. Experimentam as suas mais diversas formas. Seres insaciados. Por isso morrem, tantas vezes, novos. Overdose de sentidos.


Poetas.
Seres obcecados com a musicalidade daquilo que dizem, de tudo o que vêm, até do que escrevem.
E a teimosia que encerram em querer pintar a vida? Acham-se donos das cores do arco-íris. E são.


Poetas.
Seres capazes de transformar o que dói num sorriso, o que fere em amor, o que mata em vida, a escuridão em luz.
Nunca vi ninguém venerar tanto um sentimento agreste como a saudade, quanto um poeta. Desconfio até que estes seres transformam qualquer presença em ausência, para que possam ter mais meia dúzia de versos para escrever.
A verdade é que vivem com as entranhas de fora e, mesmo assim, passam despercebidos. Não se fazem notar, nem sabem, eles próprios, se são bonitos ou feios. Repugnam o supérfulo, admiram o detalhe. Parecem alienados do mundo. Transmitem serenidade mas, se lhes abrires a cabeça, protege-te do furacão de ideias e conhecimentos. Da inteligência.


Os Poetas estão-se nas tintas para o paleio e conversa fiada. Só querem escrever. Só querem sentir.
Alimentam-se sobretudo de amor e, quando este lhes falta, morrem devagarinho e gritam, gritam tanto que o silêncio ensurdece. E nascem poemas.


Poetas. 
Ninguém se torna poeta. Ninguém idealiza ser poeta. Alguns nascem poetas e só esses morrem poetas, porque foram poetas da vida.



E eu, que não sou poeta, tao pouco poetisa, estou certa que, no dia em que morrer, alguns irão perguntar:
-Morreu? Morreu de quê?
E alguém lhes responderá:
-Coitada. Nasceu poeta.


12 comentários:

Malik disse...

Rita PN disse...

Tão bom sabê-lo!

Malik disse...

Robinson Kanes disse...

Não sou poeta, mas sei ver uma poeta :-)

Rita PN disse...

Ehehe Obrigada pelo carinho, Robinson! :-)
Sinto as palavras, apenas isso!

Francisco Freima disse...

Já os Romanos diziam: «Poeta nascitur, non fit»

Robinson Kanes disse...

Sentes e deixas que as mesmas nos cheguem na perfeição!
Obrigado!

fashion disse...

Que lindo Rita, adorei!

Rita PN disse...

Muito obrigada minha querida Fashion

Rita PN disse...

Ora nem mais Senhor Poeta :-)

Robinson Kanes disse...

Há poetas e poetas... Os que só escrevem e os que vivem a vida em poesia...

Parabéns pelo excelente texto :-)

Rita PN disse...

Meu querido Robinson, adorei a tua frase! Tão verdadeira, quanto poética ehehe :-)
Obrigada pela leitura!

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...