quarta-feira, 4 de abril de 2018

Monólogo

Podias ser só a luz
dos astros ao cair da noite.
Podias ser só o voo, 
inquietação de uma pomba livre,
no meu peito.
Podias ser a vaga que rebenta na areia,
cântico de sereia que me embriaga
o leito onde me deito, a braços
com os versos de amor dos poetas noturnos.
Podias ser só a intempérie, 

tempestade congérie de infurtúnios 
que me inundam o entardecer dos sonhos,
pôr-do-sol da vida, horizonte inacabado...
Podias ser só a navegação
de um casco de navio à deriva
no meu coração, calmamente abandonado
em mar-alto e revolto.
Podias, ai se podias...
Limitar-te ao amanhecer claro dos meus olhos, 
onde te perco, 
me reencontro,
me desvio e retorno
a encontrar-te.
Podias ser...


(Podia)
ser só o meu princípio inacabado.


(Mas sou, sem poder sê-lo, tanto mais... e nunca findo!)


 


 


 


 

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