
Poetas.
Seres que só sonham. Seres que só sentem. Essa sede que têm de amar a tudo e a todos. Até a vida.
Poetas.
Esses seres que vivem do avesso, com o coração de fora. Que estranha forma de vida...
Os Poetas nada sabem, senão da vida. E tudo o que sabem já é demais.
Os Poetas usam-te. Usam-te os olhos, o nariz, os lábios, cada fio de cabelo, até a sola dos pés. Descrevem-te os contornos e embelezam-te a alma, mesmo quando negra.
Já os vi usar paisagens, cidades, edificios inteiros, recantos escondidos, a terra e o mar, o céu, a lua, o grito e o silêncio, o Mundo. A guerra e a paz, o rico e o pobre, o bonito e o feio, o amor e o ódio.
Os Poetas são especialistas em sentir. Experimentam as suas mais diversas formas. Seres insaciados. Por isso morrem, tantas vezes, novos. Overdose de sentidos.
Poetas.
Seres obcecados com a musicalidade daquilo que dizem, de tudo o que vêm, até do que escrevem.
E a teimosia que encerram em querer pintar a vida? Acham-se donos das cores do arco-íris. E são.
Poetas.
Seres capazes de transformar o que dói num sorriso, o que fere em amor, o que mata em vida, a escuridão em luz.
Nunca vi ninguém venerar tanto um sentimento agreste como a saudade, quanto um poeta. Desconfio até que estes seres transformam qualquer presença em ausência, para que possam ter mais meia dúzia de versos para escrever.
A verdade é que vivem com as entranhas de fora e, mesmo assim, passam despercebidos. Não se fazem notar, nem sabem, eles próprios, se são bonitos ou feios. Repugnam o supérfulo, admiram o detalhe. Parecem alienados do mundo. Transmitem serenidade mas, se lhes abrires a cabeça, protege-te do furacão de ideias e conhecimentos. Da inteligência.
Os Poetas estão-se nas tintas para o paleio e conversa fiada. Só querem escrever. Só querem sentir.
Alimentam-se sobretudo de amor e, quando este lhes falta, morrem devagarinho e gritam, gritam tanto que o silêncio ensurdece. E nascem poemas.
Poetas.
Ninguém se torna poeta. Ninguém idealiza ser poeta. Alguns nascem poetas e só esses morrem poetas, porque foram poetas da vida.
E eu, que não sou poeta, tao pouco poetisa, estou certa que, no dia em que morrer, alguns irão perguntar:
-Morreu? Morreu de quê?
E alguém lhes responderá:
-Coitada. Nasceu poeta.
12 comentários:
Tão bom sabê-lo!
Não sou poeta, mas sei ver uma poeta :-)
Ehehe Obrigada pelo carinho, Robinson! :-)
Sinto as palavras, apenas isso!
Já os Romanos diziam: «Poeta nascitur, non fit»
Sentes e deixas que as mesmas nos cheguem na perfeição!
Obrigado!
Que lindo Rita, adorei!
Muito obrigada minha querida Fashion
Ora nem mais Senhor Poeta :-)
Há poetas e poetas... Os que só escrevem e os que vivem a vida em poesia...
Parabéns pelo excelente texto :-)
Meu querido Robinson, adorei a tua frase! Tão verdadeira, quanto poética ehehe :-)
Obrigada pela leitura!
Enviar um comentário