Olhei. Olhei como se olha, vulgarmente
ao passar por gente que nos olha, também.
Olhei e passei. Passei e voltei a olhar.
Parei. Olhei e não passei
a estrada daqueles olhos para os meus.
Fiquei. Como se fica, fortuitamente,
diante de quem por nós passa,
nos olha, nos estranha e repara
que talvez fique, também.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
domingo, 29 de outubro de 2023
Nos Olhos do Coração
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1 comentário:
Gostei muito Rita. Muito.
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