Na urgência dos dias, desenvolvemos métodos de afastamento do mundo, a que recorremos quando o equilíbrio tende a desiquilibrar e a paz se anula às mãos rotineiras da mecânica da vida. Apesar da velocidade com que o exterior avança e se adianta, é minha a certeza de que é na ausência da pressa que o real acontece, se vive, se faz , se sente e se cria. Na sua presença tudo é fugaz, sem raiz ou alicerce, revogando-se no instante preciso em que deixamos de prestar atenção.
Não será sensato nem ajustado acompanhar a velocidade envolvente. Devemo-nos sim, saber segurar e acompanhar o movimento natural definido pelo nosso próprio (com)passo, respeitando as paragens necessárias, sem perder a noção daquilo que nos rodeia.
A vida é um combóio atrasado que anuncia chegar ainda antes de partir.
Até a Lua e a Terra assumem velocidades distintas no seu movimento, sem que se desconectem ou atrasem. E é assim, a diferentes velocidades, que se seguram.

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