Não sei se foram as mãos que me disseram
que ali dentro havia gente.
De capa e espada, branca bravura
dos Lírios de armadura, na frente de batalha.
Sobre o caos da vida, quilómetros de mortalha
e peitos mordidos pelo cansaço,
Sem abrigo humano, ou braços de aço onde se recolher.
Se ao menos um olhar bastasse...
Não sei se foram as mãos que me disseram,
que era gente quem na frente se erguia,
noite e dia, contra a morte, e persistia
ao alto, de pé: a imponente coragem sem rosto
e o coração disposto à salvação do mundo.
Mas sei que foram, ante o céu, em prece,
as mãos brancas dos Lírios, na esperança que cresce,
quem trabalhou a bonança e se fez ponte de aliança
sobre a humanidade.
Sei de quem foram as mãos.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
domingo, 28 de março de 2021
Aos profissionais de saúde
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3 comentários:
Todos os agradecimentos, e todas as formas de agradecimento, serão sempre insuficientes...
Deram e dão o peito as balas, e as marcas (in)visíveis das batalhas que por nós travaram, e travam, perdurarão no tempo...
Parabéns pelo poema a estes Soldados dedicado.
Mais do que agradece, importa reconhecer e respeitar (e nisso não somos muito bons). Importa não esquecer e ter presente todo o esforço sobrehumano que estás pessoas aceitaram em prol das nações.
Recorrendo aos versos de Camões, a respeito de outros heróis, vou também aplicá-los aos heróis de hoje "Em perigos e guerras esforçados,/ Mais do que prometia a força humana". Que nesta Páscoa e processo de desconfinamento ninguém se esqueça disto.
Apesar do que conta ser triste, é das coisas mais bonitas e sinceras que li por aqui nos últimos tempos.
Parabéns
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