sábado, 13 de março de 2021

Princípio do Pressuposto

"Princípio do Pressuposto II" é a última obra do artista plástico Flávio Horta.
Atribuído por mim, a convite, o título é extensível ao poema que acompanha a pintura, por lhe retratar traços e história, em representação do imaginário de Flávio, traduzido por mim, em verso. 
"Princípio do Pressuposto" seguirá, em breve, para a Casa das Artes de Arcos de Valdevez, onde integrará uma exposição aberta ao público. 


 


Princípio do Pressuposto


Sem olhar, ante o espelho, a própria face.
Louco que julga saber ser o outro,
à força de não ter
vontade nem prazer
de, aos demais, o lugar entender.
Além mundo, a sua porta...
e nada mais suporta.
Que importa?
O olhar emprestado,
a voz de todos sem ninguém:
o princípio do pressuposto
por intuir ser suposto
seguir e estar disposto
ao raciocínio de outrém.
Sem a frágil piedade,
por coração de quem cedeu,
fala o Homem sobre a vida,
sobre a história e a divisa,
sobre o que nunca conheceu.
Lugar comum, o seu,
se fácil é a explicação,
ante a incompreensão,
de quem sofreu.


 


Poema: Rita Palma Nascimento
Princípio do Pressuposto II”
Acrílico sobre tela, (80x90) 2021
Modelo: Mariana Lampreia
Pintura: F. Horta


 


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3 comentários:

MariaLi disse...

Sublime
Poema e Pintura. Parabéns!

Rita PN disse...

Muito obrigada pela visita e pela apreciação. Um beijinho e um bom fim de semana 🌷

Francisco disse...

Revejo-me em grande parte sendo um Homem presunçoso. Não propriamente daquilo que os outros fazem e sentem, mas no que deveria fazer ou sentir.

"Fala o Homem sobre a vida,
Sobre a História e a divisa,
Sobre o que nunca conheceu."

É-me o desconhecido forma de pensar, e, qual não é o pensamento se não a presunção do sentimento.
Sinto que não crio espontaneidade, ou que não a possuo, melhor dizendo, e parto do início de que tal situação adequa-se tal comportamento. Como posso eu saber, se não o faço?
São me as escolhas palavras, oriundas do pensamento do ato.
A ação em si, é o de escrevinhar as possibilidades.



(Levei o poema para uma introspeção, sendo que se atribui a "presunção" ao coletivo... A verdade é que mesmo para o natural, o domado ou selvagem, se cria presunções.
É coisa Humana pensar, é mais ainda a divagação).

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