Parar o tempo ou inverter as cores do céu?
Entre um instante e o adiante, ficar!
Permanecer e, por descuido, viver...
Ou direi, sonhar?
Sem demorar, estender as asas e voar
dentro do peito...
Planar.
Pousar levemente no enlace infinito do olhar...
E regressar à realidade da pressa do relógio
que avança sem chegar...
"a casa".
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
domingo, 26 de maio de 2019
Entre um instante e o adiante
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1 comentário:
Mas chega. Ou melhor, nunca realmente abandona o seu lar. É a partir de nós mesmos que viajamos, que sonhamos, que aprendemos e sofremos. Não saímos de casa, pudemos fazer-lhe algumas remodelações, mas nada mais que isso.
É o tempo que nunca nos chega - No sentindo de ser ínfimo, e no sentindo de não nos conseguirmos completar nele.
O relógio, esse não avança nem devagar nem depressa - O tempo é sempre o mesmo. Somos nós que ou corremos atrás dele numas alturas, ou vagarosamente o percorremos.
Parar o tempo ou inverter as cores do céu?
É o tempo quem o vai colorindo... ^^
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