No fundo, somos como os lugares. Existem milhões e, entre eles, os especiais, aqueles pelos quais vale a pena esperar o momento da descoberta.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
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Hipoteticamente
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23 comentários:
Bem verdade!
Comparando com ontem, hoje o acordar foi mais de confiança...
Pensamento incorrecto, na verdade hoje não sou ninguém. Sou só um casco à deriva.
Um casco que chega à margem e é reconstruido para um embarque longo, e seguro..
Que essa margem estivesse perto, que fosse meigas as mãos que consertassem, que fosse de ouro o coração que assim o entendesse fazer ...
Mas não vejo a margem e o resto... É só utupia. Sou um casco com graves chagas abertas... Ninguém concerta um casco com tanto buraco.
Assim como existe um ciclo entre a vida e a morte, existe um também para a vida em si.
Se tornou-se impossível flutuar mesmo em rios suaves, em lagoas estáticas... Então encontra outro caminho, no fundo. Afunda o casco velho que carregas, que todas as forças já te tirou para permanecer à superfície, e que encontres onde ninguém navega outra força de vida!
Que de algas e conchas se faça um nove bote. Que com os peixes aprendas a nadar, e que das profundezas do oceano saias, umas vez mais!
(Desculpem comentar em cima de outro comentário...)
Francisco, só te consigo dizer isto: , obrigada!
Há sempre uma nova vida, mesmo para um casco esburacado..
Enquanto o coração tem batimentos, tudo é possivel..
E quando já nem os ouves? E só queres que a dor termine ou te leve...
Aí aparece sempre algo que o faz ouvir, sentir... a dor passa, e a vontade de ficar é persistente e forte.
Neste momento não há muito que o faça sentir... está destruído... é só dor em mim, nada mais e existe
Os momentos mudam, com outros novos momentos... e passa a haver um sol brilhante, colado à alma...
Neste momento não existe luz, e tudo o que me faça pensar nela gerador e ainda mais sofrimento. Só quem sente sabe o que sente e como sente.
Eu sei o que sentes, e sei que quando deres conta, já vês essa mesma luz, e que o momento é todo tão diferente do actual...
Estou nisto faz 3 meses... A dor não acalma, só tende a piorar... tento por todos os meios abstrair-me, ocupar-me, ir a locais diferentes que me transmitam alguma coisa de bom e nada ... a noite instalar-se, as lágrimas são constantes, a dor não me deixa respirar... E cada vez mais sou esse casco de que te falo...
Por mais que tudo seja luz lá fora, eu não sou capaz de a ser.
Toda a dor diminui, umas mais velozes, outras mais lentamente. Não digo que passe, mas chega a um certo ponto, em que é uma dor aceitável, que mal a sentimos... Uma questão de tempo, e de não desesperar... Daqui a pouco, quando deres conta, esse casco está totalmente reparado. Não duvides disso!:)
Existem marcas que ficam para sempre... e por mais que não queiras, vão lembrar-te muitas vezes o motivo de ali estarem. Fosse tudo mais fácil, pudesse o mundo ser mais sincero, honesto e verdadeiro e muito do que hoje nos dói, teria sido evitado.
Sim, ficam sempre, mas como disse, aprendemos a viver com essas mesmas marcas. Deixam de ser tão dolorosas.
É fazer do que é menos bom, aprendizagem... e deixar no passado. Amanhã é um novo dia, e haverá um novo raio de sol, que ilumina....)
Sabes, eu sei disso tudo. Uso toda essa matéria para aliviar a dor a muita gente, mas quando se trata de nós, toda a dose de discursos bonitos se revela falível.
Eu não sou assim, não me intérpretes mal, e só um momento prolongado de dor extrema, que eu não escolhi, mas que veio sem eu fazer para que acontecesse.
Eu entendo, sei que é sempre muito mais fácil falar, do que agir.
O primeiro passo é aceitar essa mesma mágoa. Aceitar e acreditar que amanhã ou depois de amanhã, essa dor desaparecerá. Saber que existe uma mágoa, mas que a ultrapassamos.
Como tu mesma referes, veio sem o teu consentimento, logo de nada tens culpa e daí não és tu que tens de estar a sentir essa dor. Lembra que nada fizeste para isso....
O problema é que os estilhaços, esses, em mim é que ficaram. Eu é que me vi empurrada para o abismo pela mão que antes me sugira a a minha. De um momento para o outro, numa queda brutal com implicações demasiado graves e grandes e... Eu posso não ter culpa, mas quem sofreu fui eu... e alguém que nem chegou a nascer...
E tudo o que em mim me dói, é marca para uma vida...
Não sei como se vê o sol depois disto... espero poder vir a vê-lo mais forte do que nunca, mas neste momento eu não sou nada...
Tenhas a queda que tiveres, continuas aqui (aí), com os teus, e terás força para levantar, para caminhar com os estilhaços, e retirares um a um!
Tu continuas a ser tu, e após retirar todos os estilhaços sentirás muito mais leve! Não deixes que os estilhaços te fiquem a causar dor, liberta deles...
O sol é sempre o mesmo, também nem sempre brilha, mas todos os dias se levanta... e um dia, em breve, vai brilhar forte na tua direcção, com todos os raios, que te ilumina e atravessa a alma, onde sentes toda a luz...
Olha... Não leves a mal, não consigo continuar a conversa... Sou um mar de lágrimas. Mas quero agradecer do fundo do coração o teu carinho para comigo
Certo.
Nada a agradecer:)
Lembra apenas, que as coisas melhoram....o sol mesmo estando ausente, um dia volta.:)
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