Oiço-o bater, frenético. E ainda não são sete da manhã.
Sinto o acomodar da angústia no meu peito, travesseiro de sonhos que me levam. Ainda não são sete da manhã e já a vejo, a luz da angústia, atravessar a janela ferida.
Atrás dos meus olhos, crivadas, as palavras pouco claras e as memórias nítidas. Não há muito que possa fazer. Apenas deixa-las ficar.
A vida tem o rosto de um jogo macabro, como uma pedra que morre. E nós não somos mais que fuligem.
Semeia-me flores lá fora e pinta-as de azul, porque todas as restantes cores sangram antes do amanhecer.
Diz-me quem és.
E quando os sons dos risos dos sonhos ainda ecoarem em ti, volta a dizer-me quem eras.
Sucumbo como uma rosa a quem o amor espera do lado de fora do quarto. A vida não segue um curso claro. Onde estão os lugares e os rostos que me deveriam deixar pegadas na pele?
Ainda se o amor chegasse com o orvalho da manhã azul…
Semeia-me flores lá fora.
Passarei a olhar para elas antes mesmo de o dia nascer. Alimente-as a chuva da Primavera que, para a fazer chegar, eu uso as borboletas.
Do meu amor não sei...mas flui dentro de mim. Já passa das sete da manhã.
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