Tropeçar nas cores do arco-íris
e colher, no céu, pétalas de estrelas.
E das rosas, que são prosas
que habitam o jardim que sou,
beber-lhes as asas...
Com elas, visitaremos os astros
e pousaremos, amantes, na paixão da lua cheia.
Hei-de levar-te lá,
à tela branca e simples,
para que me pintes assim...
sempre que a janela se abrir, leve
sobre os recantos de mim.
Hei-de mostrar-te os barcos na bruma
e o amor que, sem pressa, navega
na ilusão breve das cores
das asas das borboletas.
Hei-de abraçar-te,
na rua onde te habitam os sonhos
e hei-de encontrar-te,
na esquina do acaso da ternura
sem urgência.
É lá, que ao tempo decai a premência
e os dias se abrem como camélias sem estação...
à medida do que somos:
Cartas de afeição que o vento leva...
sem resposta,
do meu ao teu coração.
21 comentários:
Gosto deste teu estado...
Mesmo que ele (o estado) me habite somente nos sonhos de menina?
Porque aqui, onde a vida saber a caminhos de dor, estrume e fel, esse amor já não é meu...
E pelo jardim florido onde ressalta o cheiro a jasmin... a borboleta voa mesmo à frente e sem que se aperceba, pousa no ombro e caminha no mesmo percurso...
As borboletas são livres! Não nos pousam no ombro para lá continuar. Antes são atraídas por jardins de beleza pura e singular, onde possam voar e acrescentar beleza ao espaço onde se movem. As borboletas são seres frágeis, como as flores (gosto de lhes chamar flores com asas), mas de inteligência garantida. Algumas espécies, após a metamorfose, duram somente 24h. Nesse tempo, experimentam a liberdade, oferecem-nos o encanto, a subtileza e simplicidade, namoram as flores e seguem a lei da vida, deixar descendência.
Não acredito em borboletas no ombro, acredito em quem vem sem interesse ou obrigação, caminha lado a lado connosco, porque assim é seu querer, nos dá sem cobrar, nos acrescenta livremente e... fica, pelo coração.
(E nós humanos, seremos capazes, numa vida, dos feitos leves que uma borboleta faz em horas?)
Duas borboletas também voam lado a lado, tal como dois seres humanos assim caminham e as olham, admirando... Dois seres humanos podem ser como duas borboletas...
Continuo a acreditar que a essência é una. Não se transmite nem se transpõe. Deixemos com as borboletas, o que é somente dom das borboletas.
Os seres humanos têm um longo caminho a percorrer.
Raros, muito raros, são os humanos capazes de usar a leveza das asas, quanto mais do coração...
Mesmo com todas as diferenças há sempre semelhanças, por mais breve que seja, por mais ínfima que seja...
E se eu te disser que é na diferença que mora o amor?
Nessa lógica, acabo por concordar.
E o segredo, que não o há, é aí que mora!
E na simplicidade...
Que mora muitas vezes nessa diferença de que falo :)
Certíssimo! :P
(Só pedia um dia de vida no mundo dos meus sonhos...! Lá é tudo mais doce...)
Há sonhos que se realizam..
Alguns, efetivamente. Também é para concretizar e realizar que cá andamos! Se não, ainda menor era a graça disto tudo.
No mundo das meninas, que semeiam jardins na alma, existem outras sonhos de realização mais complexa, quantas vezes utópicamente sonhados... (Mas gosto de por lá andar).
O que parece impossível, pode, um dia, tornar-se realidade.
Tudo o quanto é impossível, só o é até acontecer!
Mas sabemos identificar dentro de nós, o que nunca passará de um sonho e o que é meio caminho para se tornar realidade.
O sonho, aqui, ficou pelo caminho...
Evidente.
E ter sempre novos sonhos para alcançar...
Isso é fundamental. Principalmente a quem nunca sacia a sede...
Exacto.
Enviar um comentário