domingo, 21 de dezembro de 2025

Os outros, nós e a empatia

🖊 Estranhos são os tempos que atravessamos, onde a capacidade empática parece assumir o comando das habilidades a desenvolver, para que nos mantenhamos à tona e possamos auxiliar outros nesse processo.

Falar de empatia é, muito provavelmente, falar de uma das funções mais importantes da inteligência humana, intimamente relacionada com a maturidade de cada um e com a gestão das emoções.

Ser empático é poder usar a capacidade de abertura para conhecer a realidade do outro e conseguir intepretá-la, assim como compreender tudo o que é comunicado e expresso através de palavras, ou de formas de expressão não verbais. Não é necessário que se tenha, em algum momento, experienciado, sentido ou vivido um capítulo idêntico, é apenas necessário estar disponível à conexão.

Sem praticar o julgamento precipitado, um ser empático procura auxiliar e compreender o comportamento alheio, em fragilidade, conseguindo estabelecer entre o próprio e o outro um equilíbrio entre aquilo que dele se espera e aquilo que esse alguém lhe poderá, efetivamente, oferecer. Colocar-se no lugar do outro, por outras palavras; o que não é tão fácil quanto possa parecer, embora nos seja, diaria e repetitivamente, imposto.

Ao longo da História, a humanidade sempre evidenciou dificuldade em lidar com a diferença, criando, nas sociedades onde se insere, lugares cativos que crê serem apenas destinados a outros, desde logo às minorias. Por consequência, tanto a alteridade como a empatia, por serem habilidades complexas com necessidade de desenvolvimento e trabalho ao longo da vida, dão lugar à facilidade e à necessidade recorrente de classificar cada qual nesse seu lugar diferente.

E que lugar é esse? É o lugar dos fracos, da mulher, dos pretos, dos brancos, dos homossexuais, dos inválidos, dos inteligentes, dos menos dotados, dos doentes, dos loucos, dos diferentes - resida a diferença naquilo que for.

Para que nos seja possível a colocação num outro lugar, que não o da nossa situação e condição, é-nos absolutamente necessária a abertura, a consciência e a racionalidade. Sem elas nunca nos será possível o auxílio, a compreensão de comportamentos, sentimentos e emoções.
Com clareza, não nos será possível saber nada a respeito de experiências que não foram por nós vivenciadas. Todavia, será sempre possível estar disponível a acolher e ouvir a experiência do outro, permitindo que a pessoa se mostre como é e seja quem ela é, aceitando que os resultados das acções e das experiências dependem de vectores diversos com influência no nosso caminho e não apenas de factores individuais, como a responsabilidade pessoal e a determinação.

E se fosse contigo?

 

2 comentários:

cheia disse...

Sem dúvida! " toda a gente é pessoa"

Bom fim-de-semana

Rita PN disse...

Absolutamente! Bom fim de semana

A normalização como absolvição colectiva

Poucas formas de absolvição colectiva são tão eficazes como a normalização. Reconhece-se o problema, permanece visível, continua a ser comen...