Posso sentir correr os rios como um poema
enquanto explico o voo aos pássaros pensantes:
Há um céu para lá do azul
e um veleiro vazio
que aporta na etérea dor de um piano.
P'las asas sobrepostas ao perfeito,
duas mãos de artíficealagam o vento
a poucos metros de mim.
Levitam lugares por descobrir
e há uma espécie de pacto
entre o degelo e o equinócio melódico da primavera.
Debruçada sobre o monge,
a solidão arranca, às palavras, as vestes
atirando os sentidos contra o possível
enquanto, peregrino, o piano permanece no ar
imóvel...
a olhar a noite nos olhos,
ante o sossego dos Deuses.
Há um poema a nascer
e uma melodia a cortar-lhe o cordão.
A Obra é umbilical.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
sábado, 1 de março de 2025
Consagração
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