Há um lugar sem nome
onde moramos reféns
de memória e lugares antigos,
que dilui, em si e no tempo,
as cores e sabores
de uma identidade vivida
em fotografias antigas,
agora esquecidas
entre o pó de objectos sem cheiro e amor.
Por temor de recuar no tempo
e bater à nossa própria porta,
sem ninguém para a abrir,
somos lugares comuns
a viver entre flashes,
presos por um fio
de redes sociais e memórias instantâneas
que depress se esvai,
p'lo buraco negro da solidão
que consome o sofá noturno.
Vagos que nos tornamos,
perdemos momentos,
ocultamos sentimentos,
desatentos à grandiosidade
do pequeno, à riqueza do detalhe
e à pureza do enamoramento da vida,
que espreita à janela do coração.
Estendemos a mão,
rodamos a chave,
abrimos a porta,
mas não estamos lá.
Em nós são tantas as ruas sem nome que levam os outros a lugar nenhum!
1 comentário:
Tão belo poema! Que mão delicada e equilibrada o escreveu!
Cumprimentos
Eugénio
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