Aqui sentada sobre o mundo
que onde fica eu já não sei,
neste meu jeito profundo
de procurar, não encontrei
maneira mais indelicada
de olhar a vida virada
da janela feita para dois…
Se depois, parto cidade,
pelas luzes da saudade
e depois meu bem, depois…
Fico sentada sobre o tempo
que atrasado me chegou
olhando o mar em seu lamento
por barco que não ancorou.
Sem sinais nem alfaiate
que lhe cosa uma canção
ao casco que comigo parte
sem tirar ao amor a arte
de naufragar um coração.
E depois meu bem, depois…
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
sexta-feira, 14 de abril de 2023
E depois?
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1 comentário:
Como é o coração, que nos deixa a contar o que sentiu para depois nunca nos dar uma conclusão...
E repete o conto e o sentimento, e nós ouvimos e sentimos.
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