quinta-feira, 14 de julho de 2022

Verão Fúnebre

Oh Pátria, herege pátria!
Passasse um cometa no teu rosto sepulcral…
Soasse, longínqua, a harpa de Orfeu
e chovessem, pela mão direita de Zeus,
sobre teus cabelos de ouro,
águas mansas de cristal.
Deserta até ao osso,
tráz, o verão, a morte à terra;
notas graves, cânticos de fogo,
severa estiagem, fundo sem poço,
ventos mortais, cinzas na serra,
secas estivais, a sede  impera…

- Ansiada quimera! – grita o Homem
sem condenação,
assistindo ao enterro da Fénix,
cem vezes morta,
pela mão criminosa da mesma Nação.

Corações descalços caminham sobre as cinzas;
cansadas, as lágrimas, sobre a semente do pão;
Heróis de combate empenham suas vidas,
em cenários de horror e destruição.

Especialistas, os tempos, e de opinião,
letais são os donos das vozes da razão.

 

 

👩‍🚒🔥
Escrito há 8 anos, mantém-se, ano após ano, actual.
O cenário desolador, um pouco por todo o país, a bravura e constância dos operacionais no terreno, numa luta desigual. A mão criminosa, bárbara, doentia. As opiniões - que disso não passam. A razão que a ninguém pertence. O luto das terras, das vidas, do pão.

1 comentário:

fashion disse...

Que bonito! Tinha saudades de te ler. Beijinhos

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