[Canção]
Às vezes, dentro da gente,
trazendo a verdade ou dizendo que mente,
sussurra uma voz baixinho
memórias que danço sozinho,
caiadas de branco no meu coração.
Às vezes, segreda-me a vida uma canção de vento,
portas de outrora onde agora me sento
e escuto o regresso, trajando razão.
São poetas, as ruas que me guiam e desviam
das linhas cruzadas na palma da mão.
Venho de perto, estando tão longe...
eremita da vida, hábito de monge
trauteando lugares por descobrir.
Poemas e vozes trazidos por dentro,
paixões velozes e o desalento
de não habitar lugar nenhum.
Às vezes, fico ao relento contigo,
trocamos olhares e cantigas de amigo
que me devolvem à janela dos teus olhos.
Retratos de onde os meus já partiram...
tanto sorriram e agora choram.
Às vezes, dentro da gente,
sussurra uma voz que nos sente e segura,
nos agarra e nos cura,
conserta e empurra
de volta à canção.
Às vezes, só sabe a gente,
onde toca o coração.
O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... (Alberto Caeiro)
segunda-feira, 18 de julho de 2022
Linhas Cruzadas
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