quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Primaveras

Amanhece turquesa, o dia. Ou assim se mostra o céu do que vejo adiante. As nuvens, com pressa, abrem espaço aos raios de sol do caminho que desperta dos meus passos atrasados. Não estou p'las cortesas ruas da cidade. Tão pouco nos bucólicos trilhos verdes do campo. Estou a meio caminho, onde é incerta a estranheza de tudo o quanto ainda está por fazer . Estou nos espaços em branco e encontro-me, com frequência, na esquina doce do silêncio, ou na mais ensurdecedora agitação do pensamento. Ao fundo corre um ragato de sonhos. (Em mim).
Só vou por ali...
Entre o que fui e o que serei, estou. Sou.


Se são 30 as primaveras, talvez seja eu flor mediana neste jardim da vida.

2 comentários:

Francisco disse...

Há uma quadra de que gosto bastante:
''In the landscape of spring
There's nothing superior and nothing inferior,
The flowering branches grow naturally
Some short, some long.''

Então porque te consideras tu ''flor mediana''?
Não há ''meio ser'', quando somos sempre inteiros. Poderemos ainda não ser tudo o que estamos destinados a ser, pois o tempo disso não nos atravessou, mas no momento em que estamos, somos tudo o que temos.
Nem seremos mais ou menos, dependente dos dias - Pois independentemente das estações, uma flor é uma flor, uma árvore é uma árvore, os animais são os animais... Não mudam de nome. Adaptam-se, sim, e sim, também tornam-se mais experientes, sabendo a cada ciclo (ano) viver de forma mais passiva às adversidades exteriores. Mas são sempre o que são, não metade, três quartos, maus ou bons - São.

Sabes, tenho na ideia que não interessa muito aquilo que procuramos. No fundo não é com aquilo que desejamos que passamos o dia, mas com aquilo que o dia nos fornece. E, como na natureza, o dia oferece o que necessitamos na altura em que precisamos, não podemos forçar ou procurar, pois tudo o que não é nosso e que o desejamos, é ambição - Poderá ser nosso, um dia, mas não o é, ainda; não somos o sonho, somos a vontade de sonhar.







Rita PN disse...

Meu querido, obrigado pela leitura e pela visita.
Ser flor mefiana significa que estou a meio. A meio caminho, a meio da vida, a meio de alguma coisa. Não significa que sou metade ou meio ser.
Estaremos sempre a meio, enquanto houver caminho, e é isso que nos faz querer continuar. É ver um horizonte ao longe, não o fim.
Quanto aos sonhos, entendo o que dizes, mas discordo. A vontade sem acção não é nada. É necessário agir. E o sonho é acção, porque o sonho só existe sonhando. Quando concretizado passa a ser realização, não um sonho. Então, durante o caminho, a meio, entre o nascer do sonho e o concretizar, somos o que sonhamos, também. Um beijinho

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...