quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Linhas soltas

O espaço vazio.
A manhã seguinte.
A cama exausta, por ossos doridos.
Na parede ausente, um abraço de nada.
Um calendário anónimo que partiu.
Que dia é hoje? Não há presente.
Da hora ausente, só a tua memória ficou.
A música toca, para me enganar as entranhas.
Não se sobrepõe ao silêncio das minhas frágeis divisões e não avança para mim.
O soalho não range. Já não caminho.
Fico para trás,
na história ilógica, nos braços do fim.
Do abismo que nos separa,
quero as minhas asas.
Cai e finda-te, ou sobe-me ao dorso e abraça-me o voo.


Hei-de dar luz às flores,
Hei-de regressar Primavera.


 


Acorda-me amanhã.


Hoje nada ..


 


 

4 comentários:

P. P. disse...

UAU, lindíssimo.
Parabéns

Rita PN disse...

PP, Obrigada.
Não era para ser bonito. Na verdade foram linhas soltas que joguei, por necessidade de as tirar de mim. Encaixaram, numa lógica de uma história ilógica onde náufrago a cada manhã.
Quando as "despejei" esperei que o resultado fosse um total novelo de ideias, uma falta de coerência, um nada que pudesse ser entendido...

Afinal...

Um beijinho e um dia feliz

P. P. disse...

Eu gosto desse jogo. Para mim faz todo o sentido, Um belo sentido!

Um beijo e continuação de um bom dia

Rita PN disse...

Se lhe faz sentido, fico feliz. Embora o sentido que estás linhas contêm seja tão triste... :(

Um beijinho

Hipoteticamente

Dista-nos um quarteirão de luar onde, na sombra, os detalhes se ensaiam, os elementos se vestem de harmonia e onde todas as ruas parecem reg...