
Anoitecia e no silêncio ouvia-te os passos. Chegavas tantas vezes depois do sol se pôr, quando já ia alta a lua no céu.
Chegavas e aqui ficavas de um lado para o outro, entrando e saindo de cada divisão, como se quisesses preencher toda a casa. E eu, muda, ouvia-te os passos sentindo-os em silêncio.
Atravessavas a noite e acordavas-me, por vezes, a meio de um sonho pedindo-me para nele entrar, quando na verdade, dele já nem saias mesmo depois de amanhecer.
Anoitecia, e em silêncio ouvi-te percorrer em passos mudos o soalho deste espaço. E aqui ficavas, apertando-me em surdina.
Hoje anoiteceu, janelas fechadas, coração trancado, por isso bateste-me à porta.
Abri e deixei-te novamente entrar. Sim a ti. O teu nome? Saudade... de tudo aquilo que ainda tenho por viver.